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Os destinos mais bonitos entre Rio de Janeiro e São Paulo

Publicado em 10 de julho de 2026 · 8 min de leitura

Praia do Cachadaço em Trindade, com pedras arredondadas e Mata Atlântica fechando a enseada
Praia do Cachadaço, Trindade. Foto: Eduardo Gabão, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

Em algum ponto da Rio-Santos, pouco depois de Mangaratiba, a mata abre e a baía de Angra aparece lá embaixo, salpicada de ilhas. É ali que quase todo mundo que dirige a estrada pela primeira vez faz a mesma pergunta em voz alta: por que ninguém me contou disso antes? Entre o Rio de Janeiro e São Paulo existe um corredor de 294 km onde a Serra do Mar cai direto na água, e nesse corredor estão algumas das praias, vilas e baías mais bonitas do Brasil. Paraty e Ilha Grande são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2019, e a lista abaixo inclui uma praia que o The Guardian colocou entre as dez melhores do país.

Vamos assumir o viés de saída: a gente mora e trabalha nesse litoral, então é suspeito pra falar dele. Mas é exatamente por isso que esta lista não tem lugar que a gente não conheça de verdade, com barro de trilha, horário de barca e feriado lotado incluídos na conta. Ordenamos pelo critério mais simples possível: o impacto de chegar lá. E misturamos cidades e lugares específicos de propósito, porque na prática ninguém escolhe entre “Paraty” e “uma praia”: escolhe entre passar a tarde num casario colonial ou numa faixa de areia deserta. Pra entender a região como um todo antes de mergulhar na lista, comece pelo nosso guia definitivo da Costa Verde.

1. Lopes Mendes, Ilha Grande

Uma faixa de 2,5 km de areia branca tão fina que range sob o pé, mar aberto verde-claro e nenhuma construção na orla. Nenhuma, nem quiosque: leve água e lanche, porque lá dentro não se compra nada. Lopes Mendes aparece em listas internacionais de praias mais bonitas do mundo há décadas e continua entregando, porque a Ilha Grande não tem carros e a praia só se alcança por mar e trilha. É o primeiro lugar deste ranking porque junta escala, preservação e aquela sensação rara de praia grande sem gente na sua frente.

Como chegar: aqui a gente tem lado, e assume. O jeito que recomendamos é dormir ancorado: a expedição do Albatroz que sai de Paraty amanhece na Praia do Pouso, e esses mesmos 20 minutos de trilha terminam numa Lopes Mendes que ainda não recebeu ninguém naquele dia. As escunas de bate-volta chegam à mesma areia mais tarde, quando ela já é de todo mundo. Pra quem preferir ir por conta: táxi boat ou escuna da Vila do Abraão até a Praia do Pouso, e de lá a trilha de 20 minutos por dentro da mata; detalhamos horários e valores no guia da praia de Lopes Mendes.

2. Saco do Mamanguá, Paraty

Saco do Mamanguá visto do alto da trilha do Pão de Açúcar, com flores de quaresmeira em primeiro plano O Saco do Mamanguá visto da trilha do Pão de Açúcar. Foto: Pedro Gabriel Maciel, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

Um braço de mar de 8 km entrando pela serra, tão estreito e protegido que ganhou o apelido de fiorde tropical. Não tem estrada, não tem orla urbanizada: tem comunidades caiçaras, canoas e um silêncio que impressiona mais que qualquer mirante. Falando em mirante, a vista do alto da trilha do Pão de Açúcar, com o fiorde inteiro aos seus pés, é provavelmente a imagem mais fotogênica da Costa Verde. E a nossa posição sobre o Mamanguá é firme: lugar assim não se visita em duas horas, se dorme nele. O Albatroz, barco-hostel de 23 metros do nosso grupo, passa a noite ancorado dentro do fiorde nas expedições que saem de Paraty, com luau de fogueira na praia aos pés desse mesmo Pão de Açúcar; quem amanhece a bordo começa o dia no silêncio que fez a fama do lugar, sem horário de lancha mandando em nada.

Como chegar por conta: barco saindo de Paraty ou do Paraty-Mirim; o guia do Saco do Mamanguá explica as opções.

3. Centro histórico de Paraty

O único lugar desta lista onde a beleza é obra humana, e que beleza. Um casario colonial inteiro preservado, ruas de pedra pé de moleque desenhadas pra maré entrar e sair, igrejas do século XVIII e o pôr do sol dourando as fachadas brancas. Nas luas cheia e nova, o mar invade as ruas baixas e o centro vira espelho d’água. Não existe outro conjunto assim no litoral brasileiro.

Como chegar: Paraty fica na Rio-Santos, a 4 horas do Rio e 5 de São Paulo, com ônibus diretos das duas capitais. O nosso guia do centro histórico de Paraty sugere o roteiro a pé.

4. Praia do Bonete, Ilhabela

Uma comunidade caiçara de cerca de 300 moradores, isolada no lado sul de Ilhabela, sem acesso por estrada. A praia tem areia grossa, mar forte de tombo e canoas de madeira na faixa de areia; a vila tem escola, igrejinha e o ritmo de um lugar onde o barco importa mais que o relógio. O The Guardian colocou o Bonete entre as dez praias mais bonitas do Brasil, e a chegada a pé, depois de horas de mata, faz por merecer. Quem prefere ir de barco costuma dormir na parte urbana da ilha, do outro lado, e contratar a lancha no dia.

Como chegar: barco ou uma trilha de 16 km que cruza cachoeiras no caminho. Tudo sobre a vila está no guia da praia do Bonete.

5. Praia do Aventureiro, Ilha Grande

Praia do Aventureiro em Ilha Grande, com coqueiro inclinado sobre a areia e mar aberto Praia do Aventureiro, no lado oceânico da Ilha Grande. Foto: Renata Paganotto, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

No lado oceânico e selvagem da Ilha Grande, o Aventureiro é a praia do coqueiro deitado, aquele que cresce quase paralelo ao chão e virou símbolo da ilha. É também uma das poucas praias do país dentro de uma reserva onde uma comunidade caiçara controla a visitação: pouca gente por dia, camping simples, céu absurdo de estrelas. Quem dorme lá entende por que limitar turismo funciona.

Como chegar: barco a partir do Abraão ou de Angra, com número de visitantes limitado; reserve com antecedência. O contexto completo da ilha está no nosso guia de o que fazer em Ilha Grande.

6. Trindade, Paraty

A vila caiçara mais fácil de amar da Costa Verde: quatro praias em sequência, uma piscina natural entre pedras gigantes (a do Cachadaço, onde a água raramente passa da cintura) e o Parque Nacional da Serra da Bocaina fechando tudo por trás. A foto que abre este artigo é de lá. Trindade tem estrutura simples, mar pra todos os gostos e cachoeiras a minutos da areia.

Como chegar: 27 km ao sul do centro de Paraty, com ônibus municipal da Colitur por uns R$ 5. Em feriado de verão, vá cedo: a estrada de acesso trava.

7. Baía de Castelhanos, Ilhabela

Do mirante da estrada, a baía desenha um coração quase perfeito: 1,5 km de areia entre dois costões verdes, no lado oceânico de Ilhabela, dentro do parque estadual. A graça é o conjunto: a travessia da ilha por dentro da mata fechada, a vila caiçara na praia, as ondas de mar aberto e a cachoeira do Gato a uma caminhada dali. É o passeio de dia inteiro mais clássico da ilha.

Como chegar: estrada de terra que cruza o parque, só de jipe ou 4x4, ou barco contornando a ilha. Os detalhes estão no guia da praia de Castelhanos.

8. Praia do Sono e Antigos, Paraty

Depois de Trindade, o litoral de Paraty fica ainda mais cru. A Praia do Sono é uma vila caiçara sem estrada, com campings e restaurantes simples entre a areia e a mata; chega-se por trilha de uns 3 km a partir de Laranjeiras (1h a 1h30 de caminhada) ou por barco de 10 minutos. De lá, mais 30 minutos de trilha levam à praia de Antigos, deserta, de areia dourada, onde não é permitido acampar. Emendar as duas num dia é um dos melhores programas do estado do Rio.

Como chegar: ônibus da Colitur de Paraty até Laranjeiras (linha 1040) e trilha ou barco a partir do condomínio.

9. Ilha Anchieta, Ubatuba

Um parque estadual inteiro numa ilha: praias de água clara, duas trilhas sinalizadas e as ruínas de um presídio desativado que dão à visita uma camada de história que nenhuma outra praia da região tem. A Praia do Sul, no fim da trilha que sai das Palmas, tem água verde e mergulho livre dos bons.

Como chegar: escunas saem do Saco da Ribeira, em Ubatuba, geralmente com paradas pra snorkel no caminho. O parque fecha às quartas pra manutenção.

10. Dois Rios, Ilha Grande

A praia onde dois rios deságuam, um em cada canto, formando poços de água doce antes do mar. No meio, as ruínas do presídio Cândido Mendes, que funcionou até 1993 e hoje abriga o Museu do Cárcere. A combinação de praia selvagem, rio pra tirar o sal e memória pesada do Brasil faz de Dois Rios um lugar diferente de tudo nesta lista.

Como chegar: trilha de uns 8 km a partir do Abraão por estrada de terra (2h30 a 3h), sem acesso por barco de turismo regular.

Como visitar vários numa viagem só

A boa notícia: esses dez lugares estão em fila ao longo da mesma estrada. Quem tem uma semana consegue ver quatro ou cinco sem correr, seguindo o desenho do nosso roteiro de 7 dias pela Costa Verde. A regra prática: escolha uma base em cada estado (Paraty ou Ilha Grande no RJ, Ilhabela ou Ubatuba em SP) e faça os lugares específicos como bate-volta ou pernoite de mochila. Um aviso honesto de calendário: em feriado prolongado, Trindade e Lopes Mendes lotam e a Rio-Santos anda em marcha lenta; se puder, guarde os dois primeiros do ranking pra dias de semana.

E se a sua dúvida for só de praia, sem ranking de cidades no meio, a gente separou as areias uma a uma no guia de praias imperdíveis da Costa Verde, e as caminhadas que levam até elas nas trilhas imperdíveis da Costa Verde. Dez lugares, uma estrada só. Escolha por onde começar; o caminho emenda o resto.