Hostel da VilaGuia de Experiências

O roteiro perfeito de 7 dias pela Costa Verde

Publicado em 10 de julho de 2026 · 9 min de leitura

Faixa longa de areia clara e mar aberto na praia de Lopes Mendes, Ilha Grande
Lopes Mendes, Ilha Grande. Foto: Rafael Vianna Croffi, CC BY 2.0, Flickr

Todo verão a gente recebe em Ilhabela viajante fechando a travessia da Costa Verde: uns desembarcam da balsa inteiros, outros chegam precisando de férias das férias. A diferença quase sempre está no desenho da semana. Sete dias é o tempo mínimo pra atravessar a região sem transformar a viagem numa maratona de mala, e não sobra folga, isso a gente avisa logo: é um roteiro de quem acorda cedo. Mas cabe o essencial: Ilha Grande, Paraty, Trindade, Ubatuba e Ilhabela, na ordem certa e com as travessias resolvidas.

O desenho abaixo segue o sentido Rio a São Paulo, que é o que funciona melhor pra maioria (as travessias de barco ficam no começo, quando você ainda tem energia). Quem sai de São Paulo é só inverter. Ele foi montado cruzando a nossa experiência de moradores com roteiros publicados, como o de 7 dias do Guia Viagens Brasil e a semana na Costa Verde da National Geographic, e conversa o tempo todo com o nosso guia definitivo da Costa Verde, que explica a região por inteiro.

Antes de sair: as decisões que definem a semana

Três escolhas resolvem 80% do planejamento. Primeira: carro ou ônibus. De carro você ganha liberdade no litoral paulista; de ônibus você economiza e não paga estacionamento nos dias de ilha (as linhas e preços estão no artigo sobre viajar entre Rio e São Paulo pelo litoral). Segunda: a época. Abril, maio, setembro e outubro têm menos chuva e menos gente; a comparação completa está no guia da melhor época. Terceira: reservar as camas antes, principalmente na Ilha Grande, onde a oferta é limitada de verdade.

Dia 1: do Rio à Vila do Abraão

Antes da logística, a gente abre o jogo: se a escolha fosse nossa, os dias de Ilha Grande desta semana seriam vividos de dentro de um barco, não de dentro de um flex boat. A expedição de três noites do Albatroz, a escuna de 23 metros do nosso grupo, cobre este trecho dormindo na água: você vai do Rio direto a Paraty, embarca a partir das 18h na marina, passa a manhã seguinte na Lagoa Azul com snorkel e o fim de tarde solto na Vila do Abraão. Na outra manhã, o barco desembarca cedo na Praia do Pouso e os 20 minutos de trilha terminam numa Lopes Mendes ainda vazia, horas antes de as escunas de bate-volta despejarem o dia delas na areia. Nesse desenho, os dias 1 a 3 viram mar com chef a bordo, e você retoma este roteiro no dia 4, desembarcando na marina de Paraty por volta das 10h.

Pra quem preferir fazer a travessia por conta e dormir na vila, o caminho clássico: saia do Rio cedo, de carro ou no ônibus da Costa Verde (R$ 53 a 117 até Angra, 3h a 3h30). O destino é Conceição de Jacareí, uns 130 km depois, onde embarca o flex boat pra Ilha Grande: 20 a 25 minutos de travessia, R$ 45 a 150 por trecho, saídas mais ou menos de hora em hora entre 8h e 17h. Quem vai de carro deixa ele num dos estacionamentos do vilarejo e esquece dele por dois dias, porque a ilha não tem carro nenhum.

Chegando na Vila do Abraão antes do almoço, o dia rende. Deixe a mochila, coma alguma coisa nas ruas de terra do vilarejo e caminhe até a Praia do Abraãozinho, meia hora de trilha fácil pela costa, pra estrear o mar. No fim da tarde, o movimento no cais e os barcos voltando dos passeios já dão o tom do lugar.

Dia 2: Lopes Mendes

O dia inteiro é pra Lopes Mendes, a praia que costuma representar a Ilha Grande nas listas de mais bonitas do Brasil: 2,5 km de areia clara e fina, mar aberto e nenhuma construção. Não se chega de barco direto. O caminho clássico é o táxi-boat do Abraão até a Praia do Pouso e, de lá, 20 minutos de trilha por dentro da mata até a areia. Quem gosta de caminhar pode ir por terra desde o Abraão, umas 3 horas de trilha passando por outras praias, e voltar de barco do Pouso.

Leve água e lanche: em Lopes Mendes a estrutura é mínima, e é isso que segura a beleza do lugar. Volte no meio da tarde e confirme no cais o horário da sua travessia do dia seguinte.

Dia 3: travessia e chegada em Paraty

De manhã, um mergulho de despedida (a Praia Preta e o aquário natural das Palmas são opções perto do Abraão) e o flex boat de volta ao continente. De Conceição de Jacareí, quem está de carro desce direto pra Paraty, cerca de 1h30 de Rio-Santos com a Serra do Mar caindo no mar. De ônibus, o caminho é chegar a Angra e pegar a linha L101 da Colitur (R$ 27,50, umas 2 horas).

Chegue em Paraty no meio da tarde e guarde o fim do dia pro centro histórico. É o horário em que ele fica melhor: as excursões de bate-e-volta vão embora, os lampiões acendem e as ruas de pedra pé de moleque ficam quase vazias. Se a lua estiver cheia ou nova, veja a tábua de marés: a água do mar entrando pelas ruas mais baixas é um fenômeno que só existe ali, e foi desenhado assim no século XVIII.

Barcos de passeio no cais de Paraty, com o casario colonial ao fundo O cais de Paraty, ponto de saída das escunas. Foto: Nareeta Martin, Unsplash

Dia 4: o mar de Paraty

Paraty tem cerca de 60 praias e 65 ilhas, e a forma mais simples de provar isso é o passeio de escuna que sai do cais todos os dias, por volta de R$ 60 por pessoa, com paradas pra nadar em ilhas e enseadas da baía. Saia no barco da manhã e você estará de volta no meio da tarde. Quem seguiu a nossa recomendação do dia 1 desembarca hoje na marina com a Lagoa Azul, o Abraão e uma Lopes Mendes de areia vazia já vividos, e ganha o dia inteiro na cidade sem mala pra desfazer: a cama foi a mesma desde o embarque.

Use o resto do dia pra ver o que ficou de fora ontem: o Forte Defensor Perpétuo, num morro com vista pra baía, as igrejas do centro e as galerias. À noite, jante no centro histórico sem pressa. É a sua última noite no lado fluminense.

Dia 5: meio dia em Trindade, noite em Ubatuba

De manhã cedo, vá a Trindade, o distrito caiçara 27 km ao sul de Paraty, espremido entre o Parque Nacional da Serra da Bocaina e o mar. O ônibus municipal da Colitur custa uns R$ 5 e leva 40 minutos. O alvo é a piscina natural do Cachadaço: água na altura da cintura, peixe circulando entre as pedras, mar aberto quebrando do lado de fora. Vá cedo porque a vila lota e a estradinha de acesso trava em alta temporada.

Depois do almoço, siga pra Ubatuba. De carro é o trecho mais bonito da divisa, com a Rio-Santos serpenteando entre praias desertas. De ônibus, atenção: Paraty a Ubatuba é o elo fraco do transporte na região, com poucos horários por dia, então confirme o seu assim que chegar em Paraty, não em cima da hora. Durma em Ubatuba.

Dia 6: manhã em Ubatuba, tarde de balsa pra Ilhabela

Ubatuba tem mais de 100 praias e mereceria uma semana própria, então a manhã é um aperitivo. Duas opções que cabem no relógio: Itamambuca, a praia que fez de Ubatuba a Capital do Surfe por lei estadual, ou a base do Projeto Tamar, que funciona desde 1991 e mostra de perto tartarugas de mais de 100 kg. Quem preferir mar calmo pode ficar nas praias da região do Lázaro, no sul do município.

No começo da tarde, pegue a estrada: são uns 75 km até São Sebastião, passando por Caraguatatuba, e de lá a balsa cruza o canal em cerca de 20 minutos. Pedestre e ciclista não pagam; carro paga R$ 19 em dia útil e R$ 28,50 no fim de semana, com saídas a cada meia hora. Chegar em Ilhabela no fim da tarde tem um bônus: o pôr do sol no canal de São Sebastião, de frente pro continente, é o encerramento certo do dia. A gente assiste a esse pôr do sol todos os dias: é em Ilhabela que fica o Hostel da Vila, o eco lodge do nosso grupo, aberto no centro histórico em 2016, com 8.000 m² de Mata Atlântica e uma piscina aquecida a 32°C que conversa bem com quem carrega seis dias de mochila nas costas.

Pôr do sol sobre o canal de São Sebastião visto da orla de Ilhabela O canal de São Sebastião no fim do dia. Foto: Vitor Camilo, Unsplash

Dia 7: Ilhabela e o caminho de casa

O último dia é pra maior ilha marítima do Brasil. Com um dia só, a escolha honesta é entre dois programas. O primeiro: praias do canal e uma cachoeira, como a Cachoeira da Toca, com poços de água fria e um alambique vizinho. O segundo, pra quem acorda disposto: a travessia de 4x4 pela estrada de terra que cruza o parque estadual até a Praia de Castelhanos, do lado voltado pro mar aberto. Leve repelente nos dois casos: o borrachudo de Ilhabela não é lenda, é morador.

No fim da tarde, balsa de volta e subida da serra rumo a São Paulo, umas 4 horas de viagem. Se puder dormir mais uma noite na ilha e voltar de manhã, melhor: a Rio-Santos e a Tamoios à noite não são programa.

O que fica de fora (e como incluir)

Sete dias atravessam a Costa Verde, mas deixam saudade programada: o Saco do Mamanguá, o pernoite em Trindade, o Pico do Papagaio na Ilha Grande, o lado selvagem de Ilhabela. Com três dias a mais, tudo isso entra sem correria; o desenho está no nosso roteiro de 10 dias pela Costa Verde. E se a dúvida for de orçamento, a gente fez as contas de quanto essa semana custa, por perfil de viajante, no artigo sobre quanto custa viajar pela Costa Verde.

Um último conselho de morador: resista à tentação de enfiar mais uma parada nesse roteiro. Ele já anda no limite. A Costa Verde recompensa quem escolhe menos lugares e fica mais tempo em cada um, e é exatamente por isso que existem as versões mais longas.