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Lagoa Azul ou Lagoa Verde: qual escolher na Ilha Grande

Publicado em 11 de julho de 2026 · 7 min de leitura

Água azul clara da Lagoa Azul entre ilhotas de mata na Ilha Grande
Lagoa Azul, Ilha Grande. Foto: Marcio Sette, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

É a dúvida que todo balcão de agência do Abraão escuta antes das 9h da manhã: Lagoa Azul ou Lagoa Verde? A gente responde de um lugar privilegiado, porque as duas fazem parte da rota da escuna do nosso grupo, que cruza a baía da Ilha Grande o ano inteiro saindo de Paraty. A resposta curta: a pergunta está errada. Não é “qual”, é “quando”. As duas valem; o horário é que decide se você vai lembrar de peixes ou de buzina de escuna.

Este comparativo explica onde fica cada uma, o que se vê debaixo d’água, como cada uma lota e como montar o dia para pegar as duas no ponto. Ele conversa com o guia geral de snorkel na Ilha Grande e com o panorama do que fazer na ilha.

Primeiro: nenhuma das duas é lagoa, nem praia

O nome engana duas vezes. Não são lagoas de água doce: são pontos de mar, enseadas rasas e protegidas onde a água para e clareia. E não são praias: não existe faixa de areia para estender canga, montar guarda-sol e passar o dia. Você chega de barco, pula na água com máscara, flutua meia hora ou uma hora e segue viagem.

Entender isso muda o planejamento. As lagoas não são o programa do dia: são a melhor meia hora dele. O erro clássico é tratá-las como destino final e sair frustrado do barco lotado do meio-dia; o acerto é encaixá-las cedo ou tarde, com o resto do dia distribuído entre praias de verdade, que listamos no ranking das praias mais bonitas da ilha.

Lagoa Azul: a famosa

A Lagoa Azul fica entre ilhotas junto à Freguesia de Santana, no pedaço da Ilha Grande mais próximo do continente. Essa geografia explica a fama e o problema: por estar a poucos minutos de navegação de Angra dos Reis e de Conceição de Jacareí, ela é a parada número um de praticamente toda escuna e lancha que sai do continente.

Debaixo d’água, o show é dos sargentinhos, os peixinhos listrados que cercam qualquer pessoa em segundos (anos de gente jogando pão os deixaram atrevidos; não alimente, a água clara agradece). Com máscara, em dia bom, aparecem estrelas-do-mar no fundo claro, ouriços nas pedras e, com sorte, tartaruga passando. A água é rasa, azul de piscina e tão transparente que o fundo aparece mesmo onde é mais fundo.

A lotação segue o relógio dos barcos: até as 10h da manhã a lagoa é sua; entre 11h e 15h chegam as escunas de Angra tocando música, dezenas de cascos ancorados lado a lado, e a piscina natural vira estacionamento aquático. No verão e em feriado, o meio-dia ali é o retrato do turismo que este blog tenta evitar. A informação de serviço, porque ela é útil: as saídas de escuna e lancha desde o Abraão e desde o continente custam a partir de algumas dezenas de reais e quase todas passam na Azul no meio do dia. Quem vai por conta e quer a lagoa vazia precisa contratar saída privada cedo ou dormir perto, do lado noroeste da ilha.

Lagoa Verde: a discreta

Cardume de peixes na água esverdeada da Lagoa Verde Debaixo d’água na Lagoa Verde. Foto: Ronaldo Leonardo, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

A Lagoa Verde fica na costa noroeste, entre a praia da Longa e a enseada de Araçatiba, mais longe do fluxo do continente. A cor é outra história: em vez do azul de piscina, um verde profundo de vidro de garrafa, feito do reflexo da mata em volta e do fundo de alga e coral. É menor e mais recolhida que a irmã, cercada de morro por todos os lados.

Debaixo d’água ela ganha o duelo para quem gosta de vida marinha: além dos sargentinhos de sempre, há corais esverdeados, cavalos-marinhos agarrados ao fundo (olhe devagar perto das pedras, eles não fogem, só se disfarçam) e tartarugas com mais frequência que na Azul. A visibilidade costuma ser boa de manhã e no fim da tarde, quando a luz entra baixa e o verde acende.

Ela também recebe barcos de excursão a partir de meio de manhã, mas em volume menor. E tem um trunfo que a Azul não tem: quem está hospedado em Araçatiba chega por trilha de uns 25 minutos ou de caiaque, sem depender de excursão nenhuma.

O veredito, coluna a coluna

  • Água e cor: empate técnico, gosto puro. Azul de piscina contra verde de garrafa.
  • Vida marinha: Lagoa Verde, pelos cavalos-marinhos e corais.
  • Facilidade de acesso: Lagoa Azul, parada de quase toda saída de barco.
  • Chance de pegar vazia: Lagoa Verde, com folga.
  • Cena que fica na memória: a que você pegar sem escuna do lado.

Se for para escolher uma só num bate-volta comum, a honestidade manda dizer: você provavelmente não vai escolher, o barco escolhe por você, e vai ser a Azul lotada do meio-dia. É o pacote padrão. Dá para melhorar perguntando na agência o horário exato de cada parada e preferindo as saídas que começam pela lagoa em vez de terminar nela.

A resposta de dono: uma de manhã, outra ao entardecer

Agora o jeito que a gente recomenda, e aqui o interesse é assumido porque o barco é nosso. Na expedição de três noites do Albatroz, que sai de Paraty e dorme dentro da baía da Ilha Grande, o roteiro foi desenhado em cima do relógio das lagoas: a manhã do segundo dia começa na Lagoa Azul (ou na praia do Dentista, conforme o mar) logo depois do café, horas antes de as escunas de Angra chegarem; e a tarde do terceiro dia termina na Lagoa Verde, quando os barcos de excursão já voltaram e a lagoa fica outra vez em silêncio.

A cena de fim de tarde na Verde é o argumento inteiro: a escuna ancorada, os caiaques transparentes na água, o verde escurecendo conforme o sol desce atrás do morro, e ninguém mais ali. Quem quiser ver isso em movimento antes de decidir: os vídeos de bordo estão no Instagram do Albatroz. Não é a única forma de conhecer as lagoas, mas é a única que garante as duas nos horários em que elas ficam vazias, e a gente não conhece bate-volta que consiga o mesmo.

Dicas práticas para qualquer formato

  • Leve a sua máscara, mesmo que o barco empreste: a alça certa e o vidro sem risco fazem diferença, e as emprestadas embaçam.
  • Passe protetor meia hora antes de entrar na água, nunca na hora: a camada que sai na superfície é veneno para o coral.
  • Não pise no fundo nem alimente peixe. Os sargentinhos já vêm sozinhos.
  • Enjoo: o trecho entre o continente e a ilha balança mais que a lagoa em si. Comprimido meia hora antes de embarcar salva o dia de quem sofre; o resto da logística marítima está no como chegar em Ilha Grande.
  • Inverno vale: de maio a agosto a água fica mais fria, mas mais clara, e os barcos diminuem. O calendário completo está na melhor época para visitar.
  • Choveu forte ontem? A visibilidade perto da costa cai por algumas horas. O plano B do dia molhado está no que fazer em Ilha Grande quando chove.

Como encaixar as lagoas no roteiro

Um erro comum é reservar um dia inteiro “para as lagoas” e descobrir que a visita boa dura uma hora em cada. Trate as duas como vírgulas do roteiro, não como frases inteiras. Num roteiro por conta a partir do Abraão, o encaixe natural é um dia de barco pelo lado noroeste, com as lagoas nas pontas e praias de areia no meio; a base para dormir, comer e contratar tudo isso segue sendo a vila, que descrevemos no guia da Vila do Abraão.

Na conta dos dias, as lagoas ocupam meio dia bem usado de uma viagem que pede no mínimo dois inteiros: a matemática completa, cruzando praias, trilhas e barco, está no artigo sobre quantos dias ficar em Ilha Grande. E se o orçamento aperta, saiba que as lagoas são dos programas mais baratos da ilha por pessoa embarcada; os números estão no quanto custa viajar para Ilha Grande.

O que fica

Flutuar de máscara numa água clara, cercado de peixes que não têm medo de você, é dos prazeres mais simples e mais antigos desse litoral, e as duas lagoas entregam isso quando o horário respeita. Azul ou Verde é detalhe; cedo ou tarde é tudo. Escolha o relógio antes de escolher a cor, e o resto do dia se monta em volta: o guia de snorkel da ilha mostra os outros pontos onde a máscara compensa.