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As 10 praias mais bonitas de Ilhabela: o ranking de quem mora aqui

Publicado em 10 de julho de 2026 · 8 min de leitura

Baía de Castelhanos vista do alto, com a curva em formato de coração cercada de Mata Atlântica
Praia de Castelhanos. Foto: Diego F. Gonçalves, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Ilhabela tem mais de 40 praias e a gente mora aqui, o que significa que já discutimos este ranking muitas vezes: na fila da balsa, no balcão do café, com hóspede molhado de chuva contando que a estrada de Castelhanos fechou. Este artigo é a versão organizada dessas conversas. Tem opinião, tem ordem, tem o que a gente diria a um amigo com quatro dias na ilha e vontade de acertar.

Antes do ranking, o contexto que muda tudo: a maior parte de Ilhabela é parque estadual de Mata Atlântica. É por isso que a maioria das praias bonitas não tem asfalto na porta, e é por isso também que existe borrachudo, o mosquitinho que só vive onde a água é limpa. Repelente aqui não é sugestão, é equipamento. A balsa desde São Sebastião leva uns 20 minutos e é grátis pra pedestre, então dá pra fazer boa parte desta lista sem carro, combinando ônibus municipal, lancha e sola de tênis.

Nosso critério: beleza crua, primeiro; depois, o quanto a praia continua bonita quando o feriado chega. Lotação tira ponto. Esforço de chegada, não.

O ranking, do primeiro ao décimo

1. Praia de Castelhanos

O lado oceânico da ilha guarda a cena mais famosa de Ilhabela: uma baía que, vista do mirante da estrada, desenha um coração quase perfeito. São 17 km de estrada de terra cruzando o parque estadual, só de 4x4 ou a pé, ou então por mar. Lá embaixo, mar aberto com onda de verdade, canoas caiçaras na areia e uma vila que vive sem pressa. Do canto direito da praia, uma caminhada leva à Cachoeira do Gato, uma queda alta que fecha o dia com água doce. Quando chove forte, a estrada fecha, e o plano vai junto. Micro-ação: feche o transporte 4x4 na véspera e saia cedo; o guia completo de Castelhanos explica as opções e os preços.

2. Praia do Bonete

Uma vila caiçara de cerca de 300 moradores no extremo sul, alcançada por 16 km de trilha ou por lancha. O jornal The Guardian já colocou o Bonete entre as dez praias mais bonitas do Brasil, e a gente entende: areia grossa, mar de tombo bravo que os surfistas adoram, rede armada entre amendoeiras, criança caiçara jogando futebol no fim da tarde. Não é praia de banho tranquilo, é praia de estar. Micro-ação: se for pela trilha do Bonete, durma uma noite na vila e negocie a volta de lancha; fazer os 32 km no mesmo dia é castigo.

Canoas caiçaras alinhadas na areia da Praia do Bonete Canoas caiçaras no Bonete. Foto: João Lara Mesquita, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

3. Praia do Jabaquara

O fim da estrada no norte da ilha. Depois do asfalto acabar, são uns 8 km de terra com subidas íngremes até uma praia de areia clara cortada por dois riachos, um deles formando uma lagoa de água doce atrás da faixa de areia. O mar é de tombo, mas costuma vir calmo e transparente, em tons de verde. Carro de passeio chega com tempo seco e paciência. Micro-ação: pare no mirante improvisado antes da descida final; a vista já paga a viagem. Escrevemos um guia completo do Jabaquara com a logística inteira.

4. Praia da Fome

Vizinha do Jabaquara, só que sem estrada nenhuma: ou lancha, ou 4 km de trilha na mata. A recompensa é uma das águas mais transparentes da ilha, calma o bastante pra flutuação com máscara, com um casarão antigo guardando uma história pesada que explica o nome. Poucas embarcações param ali, e é isso que a mantém no top 5. Micro-ação: combine Jabaquara e Fome no mesmo dia; contamos como no guia da Praia da Fome.

Águas transparentes e mata fechada na Praia da Fome Praia da Fome. Foto: Priscila Mayumi de Souza, CC BY-SA 3.0, Wikimedia Commons

5. Saco do Eustáquio

No lado leste, acessível só por mar, uma enseada de 150 metros protegida pela Ponta da Cabeçuda e pela Ilha de Búzios. O resultado é uma água tão parada que parece lagoa. Uma pequena comunidade caiçara recebe os barcos com peixe fresco a preço honesto. Micro-ação: suba no costão do canto esquerdo; a vista abre pra baía de Castelhanos e pra ilha da Serraria, e quase ninguém faz isso.

6. Praia da Pacuíba

A menor praia deste ranking: 127 metros no norte da ilha, com um gramado macio e a sombra das árvores chapéu-de-praia encostando na areia. Uma trilha curtinha separa a estrada da praia, o suficiente pra filtrar multidão. A água clara e cheia de tocas é ótima pra quem está começando no snorkel. Micro-ação: leve máscara e vá com mar calmo; os peixes ficam no canto das pedras.

7. Praia da Feiticeira

No sul do lado do canal, 250 metros sem um quiosque sequer, com um casarão histórico na paisagem e água clara que atrai peixes ornamentais e, com sorte, tartaruga. O silêncio é o luxo aqui. A praia tem perfil de tombo, então redobre a atenção com criança pequena. Micro-ação: vá num dia de semana antes das 10h e leve o próprio lanche, porque comércio ali não existe.

8. Praia do Julião

Também no sul, 250 metros de mar manso olhando pro Ilhote da Prainha. É praia de flutuar de barriga pra cima, de remar de stand-up sem drama, de observar peixe miúdo perto das pedras. Se a sua viagem é em família, provavelmente é aqui que você vai voltar mais vezes. Micro-ação: chegue cedo pra pegar sombra de árvore; a faixa de areia é curta e ela acaba.

9. Praia do Curral

A mais estruturada da ilha: uns 500 metros de areia branca com quiosques, restaurantes de pé na areia, ducha, banheiro e salva-vidas em trechos. É bonita de verdade, e é justamente por isso que lota. Em feriado de verão, o Curral vira um evento, e quem busca sossego sofre. Fora de temporada, num fim de tarde de terça, ela sobe fácil três posições nesta lista. Micro-ação: em feriado, chegue antes das 10h ou troque pela Feiticeira, três praias adiante.

Faixa de areia clara e mar verde na Praia do Curral Praia do Curral. Foto: Clonefox19, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

10. Praia Grande

Uns 600 metros no sul, com quiosques, mar aberto de canal e um dos climas mais locais da ilha: é praia de morador, de campeonato de futebol na areia, de tainha na brasa em julho, quando acontece o Festival da Tainha. Não tem o cenário dramático das oceânicas, tem vida. Micro-ação: se estiver na ilha em julho, pergunte as datas do festival e vá com fome.

As que ficaram de fora por pouco

Veloso, com seu naufrágio de 1920 a poucos metros da areia, Portinho com a capela de Santo Antônio, a Armação dos velejadores e a Praia do Sino com suas pedras que soam metal. Todas aparecem nos nossos guias de praias para casal e de praias secretas, cada uma no contexto em que brilha.

Como distribuir o ranking pelos seus dias

A tentação de riscar as dez numa viagem só é real, e a gente desaconselha: as praias de acesso difícil pedem dia inteiro e margem pra imprevisto de mar. Com três dias, o desenho honesto é um dia de lado do canal (Curral ou Feiticeira com Julião), um dia de norte (Jabaquara com a trilha da Fome) e um dia de barco pro leste. Com cinco, entra a expedição oceânica de 4x4 e sobra tarde pra rede. A conta completa de dias está no nosso quantos dias ficar em Ilhabela, e o roteiro de 5 dias já vem com essa lógica montada.

Outro atalho que economiza discussão em grupo: escolha pela companhia, não pela fama. Viagem a dois pede as praias mansas do canal e um pôr do sol garantido. Criança pequena pede água rasa, sombra e banheiro perto, que é um filtro bem mais duro do que parece. Aventura pede trilha, lancha e mochila leve. A gente separou esses recortes em guias próprios justamente porque a praia certa muda conforme quem senta na areia com você.

A logística que muda o dia

Metade desta lista depende de mar bom ou estrada seca, então a época pesa: de maio a agosto o mar fica mais claro e as trilhas secam, como explicamos no guia da melhor época para visitar Ilhabela. No verão, o jogo é outro: chuva de tarde quase diária, estrada de Castelhanos fechando sem aviso e feriados lotando as praias de estrada. Funciona também, desde que a expectativa chegue calibrada e as praias de barco fiquem agendadas pros primeiros dias da viagem, com folga pra remarcar. Nesse mesmo período, entre 16 de maio e 16 de agosto, as baleias-jubarte cruzam o litoral da ilha. A gente opera saídas de avistamento que partem do Pier da Vila, no centro histórico: R$ 320 por pessoa, 3h30 de mar, e a honestidade de sempre: avistamento não é garantido, é natureza.

E é justo dizer de onde este ranking vem: quem escreve é a equipe do Hostel da Vila, um eco lodge no centro histórico de Ilhabela, do lado do canal, recebendo viajantes desde 2016. Depois de um dia inteiro de estrada de terra e sal, a piscina aquecida a 32°C do nosso terreno de mata tem resolvido muita dor de perna por aqui.

A ordem desta lista é nossa e você vai discordar de alguma posição, o que é exatamente o ponto: praia bonita se discute com areia no pé. Escolha três do ranking, monte seus dias com o nosso guia do que fazer em Ilhabela e venha conferir se a gente acertou.