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Praias de Ilhabela para ir com crianças: as que funcionam de verdade

Publicado em 10 de julho de 2026 · 7 min de leitura

Faixa de areia clara com mar calmo e árvores na Praia do Curral, em Ilhabela
Praia do Curral. Foto: Clonefox19, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Quem trabalha recebendo viajantes em Ilhabela desde 2016 aprende rápido que família em praia errada é férias em risco. A gente já viu de tudo: pai descobrindo o mar de tombo com a caixa térmica ainda fechada, criança riscada de borrachudo porque ninguém avisou do repelente, carrinho de bebê atolado em areia fofa a 300 metros do banheiro mais próximo. Este guia existe pra sua família pular essas cenas e ir direto pra parte boa.

Antes da lista, o vocabulário que importa. Praia de tombo é aquela em que o fundo afunda de repente, a um ou dois passos da beira: a onda pode ser pequena e mesmo assim derrubar uma criança. Várias praias bonitas de Ilhabela são assim, e a gente avisa quais. O segundo verbete é borrachudo, o mosquitinho que vive nos rios limpos da ilha: a picada não dói na hora e coça por dias. Repelente reforçado, calça leve no fim da tarde e pronto, o problema vira detalhe.

A boa notícia: a travessia já começa divertida. A balsa desde São Sebastião leva uns 20 minutos, é grátis pra pedestre, e criança atravessa colada na grade procurando peixe na água. Como chegar até ela, com ou sem carro, está no nosso guia de onde fica Ilhabela.

Balsa cruzando o canal de São Sebastião em direção a Ilhabela A balsa: primeiro brinquedo da viagem. Foto: Clonefox19, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

As seis praias que a gente indica pra família

Praia do Sino (Garapocaia)

A 11 km da balsa, no sentido norte, é a nossa primeira resposta pra quem viaja com criança pequena: água rasa e calma, coqueiros fazendo sombra de verdade e quiosques com mesa na frente do mar. O nome vem das pedras do canto da praia, que soltam um som metálico de sino quando batidas com outra pedra. Nenhuma criança resiste ao experimento, e tudo bem: as pedras aguentam há séculos. Micro-ação: chegue antes das 10h30 pra garantir mesa na sombra e deixe a criança descobrir a pedra sozinha.

Praia do Julião

No sul da ilha, 250 metros de mar manso protegido, com o Ilhote da Prainha na paisagem. É rasa perto da beira, boa de máscara e snorkel pra criança que já nada, e o stand-up alugado vira programa de pai e filho. A faixa de areia é curta e a sombra disputada. Micro-ação: leve guarda-sol próprio e água; a estrutura ali é mínima de propósito.

Praia do Veloso

Mar calmo, raso na entrada e areia um pouco mais escura, com quiosques no canto esquerdo e parada de ônibus na estrada. Funciona bem pra família sem carro. Micro-ação: confira o horário do ônibus municipal da volta assim que descer; a linha rareia no fim da tarde. O nosso guia de Ilhabela sem carro explica as linhas.

Praia Grande

Uns 600 metros de praia com a melhor relação estrutura e espaço da ilha: quiosques, restaurantes, banheiro alugado fácil e areia larga pra correr. É praia de morador, com futebol no fim da tarde e clima de bairro. Em julho, o Festival da Tainha enche tudo de cheiro de peixe na brasa. Micro-ação: se for em julho, vá com as crianças no início do almoço, antes da fila do festival crescer.

Praia do Portinho

Pequena, de mar tranquilo, com um trunfo que nenhuma outra tem: um parquinho infantil na orla e a capela de Santo Antônio ao lado, além de quiosques e ciclovia chegando até lá. É a praia do dia em que o mar interessa menos que o balanço. Micro-ação: alugue bicicletas e vá pela ciclovia; o trajeto vira metade do passeio.

Praia do Curral

A mais completa em serviços: quiosques e restaurantes de pé na areia, ducha, banheiro e salva-vidas em trechos. Com mar de ressaca a história muda, porque o Curral é de tombo e as ondas crescem quando entra swell do sul. E há o aviso maior: em feriado de verão, lota até a última cadeira. Micro-ação: use o Curral em dia de semana e de mar liso; em feriado, troque pela Praia do Sino sem dó.

Rio desaguando na areia da Praia do Jabaquara, em Ilhabela A lagoa de água doce do Jabaquara. Foto: Maristela Colucci/MTur, domínio público, Wikimedia Commons

A exceção encantada: a lagoa do Jabaquara

A Praia do Jabaquara, no fim da estrada do norte, tem mar de tombo que não recomendamos pra criança pequena. Só que atrás da faixa de areia um riacho forma uma lagoa de água doce, rasa e sem onda nenhuma, onde os pequenos passam horas enquanto os adultos revezam no mar. O acesso são 8 km de estrada de terra com subidas: com tempo seco, carro de passeio chega devagar; com chuva, deixe pra outra vez. Micro-ação: repelente antes de descer do carro, porque rio limpo é a casa do borrachudo.

Onde não ir com criança pequena

Honestidade de morador: as praias oceânicas mais famosas da ilha não são pra essa fase. O Bonete tem mar de tombo forte, de surfista, além de um acesso que exige 16 km de trilha ou lancha. Castelhanos é mar aberto com onda de verdade e 17 km de estrada de terra que sacode qualquer cadeirinha. As duas são extraordinárias com filhos maiores, dos que encaram trilha e sabem respeitar o mar; com bebê e criança pequena, escolha o lado do canal e seja feliz.

A mochila que resolve 90% dos perrengues

Depois de anos observando o que as famílias esquecem, a lista ficou assim: repelente em dose dupla, um pra passar na saída e outro pra reforçar depois do banho, porque água tira e borrachudo agradece. Protetor solar infantil e uma camiseta de proteção UV, que vale mais que qualquer reaplicação em criança que não para quieta. Água além da conta e fruta cortada, porque quiosque nem sempre está a dez passos. Um trocado em dinheiro vivo, já que maquininha depende de sinal e sinal depende de sorte. E o item que ninguém leva na primeira viagem e todo mundo leva na segunda: uma muda de roupa seca esperando no carro, pra travessia de volta não virar choro coletivo.

Sobre horário, a matemática das famílias daqui: praia das 9h às 12h30, almoço na sombra, volta pra base na hora do sol bravo e, se sobrar energia, segundo turno curto depois das 16h. Criança aguenta a praia; quem não aguenta é a pele dela ao meio-dia.

Um dia modelo com criança, testado

9h, balsa ou saída da base com a mochila pronta da noite anterior. 9h40, Praia do Sino: água rasa, sombra de coqueiro, pedra que faz som de sino ocupando a criançada por uma hora inteira. 12h30, almoço no quiosque com o pé na areia, sem trocar de lugar. 14h, volta pra base pro banho e pra soneca de quem precisa. 16h30, ou o segundo turno de praia num trecho perto, ou bicicleta na ciclovia até o parquinho do Portinho. 18h30, jantar cedo na Vila, sorvete andando na orla e cama sem negociação, porque amanhã tem de novo.

O que esse dia tem de esperto é o que ele não tem: deslocamento longo, praia de tombo e meio-dia de sol. Guarde as praias difíceis pra quando os filhos crescerem; a ilha vai continuar aqui.

O plano B que salva a viagem

Chove, e chove de verdade, principalmente no verão, quando a tarde costuma fechar depois de uma manhã de céu limpo. Com criança, dia de chuva sem plano vira quarto de hotel com tédio, e tédio infantil é a força mais destrutiva conhecida pela hotelaria. Tenha na manga o nosso o que fazer em Ilhabela quando chove e a régua da melhor época para visitar: abril, maio, junho e setembro combinam mar calmo, preço menor e praia vazia, que é o cenário dos sonhos de qualquer pai.

Sobre a base, o interesse é nosso e a gente assume: no Hostel da Vila, nosso eco lodge no centro histórico, o fim de tarde das famílias acontece na piscina aquecida a 32°C com toboágua de 20 metros, e tem criança que classifica o toboágua acima de qualquer praia da ilha. Pra quem prefere quarto fechado com a estrutura por perto, o Vilarejo, as suítes do grupo a três minutos dali, tem categoria família.

Um dia de praia com criança que termina todo mundo inteiro, cansado e rindo é uma das melhores coisas que a ilha produz. Escolha duas praias desta lista, encaixe no nosso roteiro de 5 dias em Ilhabela e deixe o resto com o mar calmo do canal.