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Roteiro de 7 dias em Ilhabela: a versão completa, com Bonete e pernoite

Publicado em 10 de julho de 2026 · 8 min de leitura

Canoas caiçaras na areia da praia do Bonete, em Ilhabela
Canoas na praia do Bonete, extremo sul de Ilhabela. Foto: João Lara Mesquita, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Existe uma Ilhabela que o viajante de fim de semana não alcança. Não por falta de vontade: por falta de tempo. É a ilha do pernoite no Bonete, do dia em que você não faz nada de propósito, do plano B que vira memória quando chove. Este roteiro de 7 dias é sobre essa ilha. Quem escreve é a equipe de um hostel no centro histórico, recebendo viajantes há dez anos, e a nossa observação de balcão é consistente: quem fica uma semana volta diferente de quem fica três dias. Não é mais praia; é outro ritmo.

Os quatro primeiros territórios da ilha (canal, sul, lado oceânico, norte) já estão desenhados nos nossos roteiros de 3 dias e 5 dias. A semana inteira herda essa espinha e acrescenta o que só o tempo compra: o Bonete dormido, não visitado. Repelente na mochila todos os dias, dinheiro vivo pros cantos sem sinal, e vamos ao desenho.

Dia 1: a travessia e a Vila

Chegue sem pressa. A balsa de São Sebastião leva 20 minutos, é gratuita a pé e de bicicleta, custa R$ 19 por carro em dia útil e R$ 28,50 no fim de semana, e sai de 30 em 30 minutos das 5h30 às 23h30. A primeira tarde é do centro histórico: igreja matriz, feirinha, cais, e o pôr do sol que acontece sobre a água do canal, porque a face habitada da ilha olha pro continente. Chegue à orla antes das 17h30 no inverno e não se arrependa.

Com uma semana pela frente, a escolha da base pesa mais do que em qualquer roteiro curto, e a gente assume o interesse com naturalidade: o blog é nosso e a casa também. O Hostel da Vila fica dentro do centro histórico, do lado do canal, num terreno de 8.000 m² com a Mata Atlântica subindo atrás dos domos, das casas na árvore e dos yurts. Numa viagem de sete dias, a piscina aquecida a 32°C deixa de ser luxo e vira logística de recuperação: é ela que costura os dias de trilha com os dias de mar.

Dia 2: praias do sul e água doce

O aquecimento da semana: manhã no Curral, a praia de 400 metros de areia larga com a melhor estrutura da ilha, ou nas vizinhas Feiticeira e Praia Grande, menores e mais quietas. À tarde, a trilha da Água Branca, na portaria do parque estadual: uns 4 km entre ida e volta, cinco poços de água fria, banheiro e ducha na entrada. As quedas d’água da ilha ganharam guia próprio em cachoeiras de Ilhabela.

Cachoeira em meio à mata fechada em Ilhabela Mais de 80% da ilha é parque estadual, e as cachoeiras são a consequência. Foto: Igorh84, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

Dia 3: Castelhanos

O primeiro dia grande. Castelhanos fica do lado oceânico, no fim de 17 km de estrada de terra que só aceitam veículo com tração, então o dia começa cedo num 4x4 de agência ou num barco. Parada no mirante do Coração pra entender de cima o desenho da baía, descida pra areia, e a tarde livre pra trilha de 2 km até a cachoeira do Gato, a queda alta no meio da mata que muita gente elege a mais bonita da ilha. A volta sacolejando pela estrada de terra faz parte do pacote, e ninguém reclama de verdade.

Dias 4 e 5: Bonete, dormindo lá

Aqui o roteiro de 7 dias se separa de todos os outros. O Bonete é uma vila caiçara de uns 300 moradores no extremo sul da ilha, sem estrada, sem asfalto, com energia limitada e um mar de tombo que o The Guardian já colocou entre as dez praias mais bonitas do Brasil. Dá pra conhecer num bate-volta de lancha, e é o que a maioria faz. A nossa opinião, depois de mandar centenas de hóspedes pra lá: o bate-volta te mostra o cenário e esconde o lugar. O Bonete acontece quando os barcos de turismo vão embora, no fim da tarde, e a vila volta a ser dos moradores e de quem dormiu.

A ida clássica é pela trilha do Bonete: 16 km a partir da Ponta da Sela, de 4 a 6 horas de caminhada com as cachoeiras da Laje e do Areado servindo de parada pra banho no caminho. Quem não quiser caminhar vai de lancha. O arranjo que a gente mais recomenda é o híbrido: trilha na ida, com o corpo descansado, e barco na volta. Reserve a pousada ou o camping da vila com antecedência, leve dinheiro vivo porque o sinal é raro, e jante o peixe do dia onde os moradores indicarem.

A noite lá é diferente de tudo na ilha. A energia é limitada, as luzes da vila se apagam cedo e o céu responde na mesma moeda: sem poste concorrendo, a Via Láctea aparece inteira sobre o mar de tombo. O barulho é o das ondas quebrando pesado na areia e, de manhã, o dos pescadores empurrando as canoas pra água. Não tem farmácia, não tem caixa eletrônico, não tem pressa. É esse o ponto.

O quinto dia amanhece no Bonete, e é por isso que ele existe no roteiro. Mar cedo, café sem hora, a travessia de volta no meio da tarde. Chegando do outro lado, banho longo e noite leve: o corpo agradece o que vem a seguir.

Dia 6: o dia de descanso, que também é o plano B

Todo roteiro honesto de uma semana precisa de um dia sem meta, e a maioria dos guias não tem coragem de imprimir isso. O nosso tem: o dia 6 é de rede, de café esticado, de feirinha na Vila, de escolher um restaurante com calma em vez de por pressa. Descanso em viagem não é desperdício; é o que separa uma semana vivida de uma semana cumprida.

Névoa e chuva sobre a mata de Ilhabela A ilha com névoa: outro lugar, mesma beleza. Foto: João Paulo D’Andretta, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons

E ele tem uma segunda função: é o dia coringa. Se chover em qualquer ponto da semana, troque o dia 6 de lugar sem culpa e mova a praia perdida pra cá. Chuva na ilha tem os próprios programas, de cachoeira cheia a café olhando o canal, e o artigo sobre o que fazer em Ilhabela quando chove lista todos. À noite, a Vila de sempre: o mapa está em o que fazer à noite em Ilhabela.

Dia 7: o dia da sua ilha

O último dia é uma escolha entre três finais, e os três são bons.

O final de altura é o Pico do Baepi: 1.048 metros, de 2h30 a 4 horas de subida com trecho final de cordas, e o canal inteiro aos seus pés num dia limpo. Suba cedo e com 2 litros de água por pessoa; não tem fonte no caminho. As alternativas estão nas melhores trilhas de Ilhabela.

O final de mar é o norte: a praia do Jabaquara no fim da estrada de terra ou a vizinha praia da Fome de lancha, com mergulho de flutuação em água transparente e quase ninguém em volta.

E o final de temporada, se a sua semana cair entre 16 de maio e 16 de agosto: as jubartes no canal. As saídas de avistamento que a gente opera partem do Pier da Vila, custam R$ 320 por pessoa e duram 3h30 num flexboat, com pico de encontros em junho e julho. Avistamento não é garantido, baleia não tem agenda; quando acontece, é o fecho de viagem contra o qual nenhuma praia compete.

A logística da semana, em três avisos

Primeiro: o pernoite no Bonete é a peça mais disputada deste roteiro. As pousadas da vila são poucas e pequenas, então reserve antes de tudo, principalmente entre dezembro e fevereiro e nos feriados. Segundo: monte a semana com os dias grandes intercalados, do jeito que está aqui, e resista à tentação de emendar Castelhanos com a trilha do Bonete em dias seguidos; as pernas cobram. Terceiro: dinheiro vivo pra tudo que fica além do asfalto, porque o sinal de celular some e a maquininha vai junto.

Quando marcar a semana

Abril, maio, setembro e outubro são os meses em que a ilha rende mais: menos chuva, menos gente, preços melhores. O inverno soma as baleias e as trilhas secas, e julho tem a Semana Internacional de Vela, de 24 de julho a 1º de agosto em 2026, quando a Vila vira vila náutica e os bares enchem de tripulação do mundo inteiro. O raio-x completo, mês a mês, está na melhor época para visitar Ilhabela. Pra fechar o orçamento da semana, as contas estão em quanto custa viajar para Ilhabela.

Sete dias é o luxo de não escolher: a ilha inteira cabe. Se ainda estiver medindo o tamanho da viagem, o artigo sobre quantos dias ficar em Ilhabela resolve a dúvida; se a semana já está marcada, comece reservando o pernoite no Bonete, que é a peça deste roteiro que esgota primeiro.